sábado, 25 de junho de 2011

Não creio em Gênio(s)

Se um dia, num sonho, tivesse por iluminado a localização de uma lâmpada; se um dia, num sonho, me encorajasse a sair no encalço dessa lâmpada; sem exitar iria a sua busca, a pegaria, a esfregaria e aguardaria pelo fenômeno constituído por um som abafado e uma fumaça com cheiro de baunilha que, suavemente, se dissiparia; me permitindo contemplar um gênio, verde e reluzente, que após dois segundos de sorriso me diria, diria em brasileiro, em alto e bom som: “Como já sabe, conforme te foi revelado, diga os teus desejos, todos o três, e eu os tornarei realidade”.

Desde criança penso nisso, nesse encontro com o Gênio, e de lá pra cá minha lista foi uma metamorfose ambulante, mas agora minha ideia está amadurecida. Não titubearei. Serei preciso, pedirei só o que realmente me interessa, algo ostentado por qualquer ser humano, qualquer mero mortal. Enfim, vamos lá Sr. Gênio, já sei o que quero e agora vou te dizer: “Quero ser onisciente, onipresente e, é claro, também quero ser onipotente”.

O Gênio deu um sorriso amarelo e completou com os dizeres “Boa pedida, mas não se vanglorie por uma suposta originalidade, afinal, já me pediram isso antes... De qualquer forma, cá está e assim seja. Está feito”.

Que sensação boa! Já posso sentir a onipotência correndo nas veias! Criarei um planeta que com certeza será bom; nele criarei formas de vida que se multiplicarão, mas que nunca fugirão aos meus olhos, pois minha onipresença os acompanhará até nos seus momentos mais íntimos. Calma, não serei um ditador. Pelo contrário, darei as vidas a infinita possibilidade da escolha, todavia, saberei sempre qual escolha será tomada, mas difundirei essa ideia de liberdade, fruto da minha bondade. Só de sacanagem.

Sim, eu seria um ser supremo. Adaptado para cada cultura, ora loiro e cabeludo, outrora gordo e careca... mas ainda sim, supremo. Sim, seria ótimo, mas que pena isso ser só uma fantasia minha. Que tolo eu era quando aguardava pelo encontro com o Gênio.

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